PROGRAMA PATRIMÓNIO

“Um dos traços distintivos do Terras sem Sombra, no seu afã de propor cruzamentos fecundos entre a música, o património cultural e a biodiversidade, é o pretender dar a conhecer os tesouros ocultos de cada um dos concelhos em que peregrina. Para que isto ocorra, torna-se necessário uma aproximação franca à personalidade das suas cidades, vilas e aldeias. O que tem qualquer coisa de percurso iniciático, requerendo, em cada ponto, a intervenção de guias familiarizados com o respectivo Genius Loci (espírito do lugar).”

JOSE ANTÓNIO FALCÃO

Coordenador Científico


VIDIGUEIRA

17 de Fevereiro [15H00]

Um Panteão para D. Vasco da Gama:O Convento de Nossa Senhora das Relíquias

COLABORAÇÃO: Quinta do CarmoAPOIO: Câmara Municipal de Vidigueira; Centro UNESCO de Arquitectura e Arte

Os restos mortais de D. Vasco da Gama vieram da Índia, alguns anos após a morte do almirante em Cochim (1524), para a igreja do convento carmelita de Nossa Senhora das Relíquias – e aí permaneceram até à sua trasladação para o mosteiro dos Jerónimos. Mas a história desta instituição, muito relacionada com o Oriente, evidencia outros capítulos dignos de atenção, a começar por um milagre, ocorrido em finais do século XV. Guias: Mário Maia e Silva (proprietário), Susana Maia e Silva (historiadora de arte) e Filipa Maia e Silva (educadora de infância)

SERPA

3 de Março [15H00]

Olhares sobre a Arte Manuelina do Alentejo:O Convento de Santo António

COLABORAÇÃO: Santa Casa da Misericórdia de SerpaAPOIO: Câmara Municipal de Serpa; Centro UNESCO de Arquitectura e Arte

Trata-se de um dos mais notáveis exemplos da arquitectura manuelina no Alentejo e um marco da história regional. Na capela-mor está sepultado, por concessão régia, o mestre sala do monarca, D. Henrique de Mello, filho de Garcia de Mello, alcaide-mor de Serpa. Guias: António Martins Quaresma (historiador) e Maria Manuel Oliveira (arquitecta)

ODEMIRA

17 de Março [15H00]

Em sintonia com a Natureza:O Moinho de Vento dos Moinhos Juntos

COLABORAÇÃO: Câmara Municipal de OdemiraAPOIO: Centro UNESCO de Arquitectura e Arte

Recuperado pelo Município, um dos “moinhos juntos” encontra-se capaz de moer. Visitá-lo oferece uma ocasião muito oportuna não só para conhecer um património protoindustrial digno de atenção, mas também para se reflectir sobre o uso sustentável de energias renováveis, um dos grandes desafios que se colocam à sociedade actual. Guias: Ana Tendeiro Gonçalves (antropóloga), António Martins Quaresma (historiador) e José Matias (técnico de museus)

MÉRTOLA

14 de Abril [15H00]

Reescrever o Passado:Novos Olhares sobre a História de Myrtilis

COLABORAÇÃO: Campo Arqueológico de MértolaAPOIO: Câmara Municipal de Mértola; Centro UNESCO de Arquitectura e Arte

A investigação científica multidisciplinar que Campo Arqueológico de Mértola tem vindo a desenvolver, no âmbito das ciências sociais e humanas, desde 1978, permite reescrever a história da velha cidade e introduz uma nova dinâmica na compreensão do passado e da própria identidade do Baixo Alentejo. Guias: Cláudio Torres (historiador de arte), Susana Gómez e Vergílio Lopes (arqueólogos)

FERREIRA DO ALENTEJO

28 de Abril [15H00]

No Coração da Planície:A Quinta de São Vicente

COLABORAÇÃO: Família Passanha de Bivar BrancoAPOIO: Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo; Centro UNESCO de Arquitectura e Arte

A Quinta de São Vicente retira o nome de uma ermida da mesma invocação, datada do século XV, que se situa no perímetro da ampla herdade, retomando a tradição solarenga, a mansão transmite uma imagem de prestígio e é, como a propriedade que a envolve, um símbolo da terra. Guias: Wanda Passanha de Bivar Branco (proprietária), Ricardo Pereira (arquitecto) e Maria João Pina (historiadora)

BEJA

5 de Maio [15H00]

Memórias de Mariana:Beja no Tempo dos Alcoforados

COLABORAÇÃO: Associação de Defesa do Património da Região de BejaAPOIO: Câmara Municipal de Beja; Clube Bejense; Centro UNESCO de Arquitectura e Arte; Museu Regional de Beja

Na celebração dos 350.º aniversário da publicação das Cartas Portuguesas, de Soror Mariana Alcoforado [1640-1723], visitamos monumentos e sítios que lhe conservam a memória: a casa onde nasceu, a igreja onde foi baptizada, o convento onde viveu, morreu e está sepultada, assim como a Quinta dos Alcoforados, outrora pertença da sua família. Guia: Florival Baioa Monteiro (historiador de arte)

ELVAS

19 de Maio [15H00]

Cidadela Inexpugnável:O Forte de Nossa Senhora da Graça

COLABORAÇÃO: Dir. Reg. de Cultura do AlentejoAPOIO: Câmara Municipal de Elvas; Centro UNESCO de Arquitectura e Arte

Também conhecido por Forte Conde de Lippe, situa-se no monte com o mesmo nome, um dos mais altos da região e de grande importância estratégica-defensiva, a cerca de 1 km de distância a norte de Elvas. Obra-prima da arquitectura militar europeia, foi mandada construir por D. José I, iniciando-se os trabalhos de construção em 1763. Foi inaugurado em 1792, já no reinado de D. Maria I. Guia: Rui Jesuíno (historiador)

BARRANCOS

2 de Junho [15H00]

Entre Ardila e Múrtega:A Antiga Vila de Noudar

COLABORAÇÃO: EDIA - Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do AlquevaAPOIO: Câmara Municipal de Barrancos; Centro UNESCO de Arquitectura e Arte

No intuito de atrair novos moradores a Noudar, ocupando um ponto dominante da raia, entre o rio Ardila e a ribeira de Múrtega, o rei D. Dinis, em 1305, fê-la couto de homiziados, o primeiro do país. A vila cresceria à sombra de um extenso recinto amuralhado, em que domina a emblemática torre de menagem, rodeada pelo alcácer, tendo perto a igreja matriz de Santa Maria de Entre-Ambas-as-Águas. Guias: Miguel Rego (arqueólogo)

sines

16 de Junho [15H00]

Na Rota do Gama:Testemunhos do Almirante em Sines

APOIO: Câmara Municipal de Sines;Centro UNESCO de Arquitectura e Arte

Sines é a “Terra de Vasco da Gama”. Esta visita percorre lugares fundamentais do roteiro sineense do Gama: além do castelo e da matriz, o paço (cuja construção foi embargada pelo rei e levou à expulsão do almirante da terra natal), a igreja de Nossa Senhora das Salas (reedificada por sua ordem) e outros locais de culto a que tinha apego. Guia: António Martins Quaresma (historiador) e Ricardo Pereira (arquitecto)

SANTIAGO DO CACÉM

30 de Junho [15H00]

Sub tegmine fagi:A Quinta de São João

COLABORAÇÃO: Família Soares Nunes da SilvaAPOIO: Câmara Municipal de Santiago do Cacém; Centro UNESCO de Arquitectura e Arte; Real Sociedade Arqueológica Lusitana; União de Freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra

Sobressai, pela imponência do conjunto edificado, a Quinta de São João, que pertenceu ao sargento-mor João Falcão de Mendonça. Abastecida por um notável dispositivo hidráulico, com caleiras e tanques, a quinta alterna jardins, ruas arborizadas, hortos, pomares e mata. Guias: Gonçalo Nunes da Silva (proprietário) e Francisco Lobo de Vasconcellos (arquitecto)

PROGRAMA BIODIVERSIDADE

“Em 2011, quando o Terras sem Sombra lançou as primeiras iniciativas de preservação da biodiversidade, sob a égide do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, este trabalho foi recebido com certa ironia, por parte tanto de algumas fileiras da Igreja como de certos serviços do Estado. As autarquias e a sociedade civil, no entanto, aperceberam-se do seu alcance e prestaram-lhe o maior apoio. Breves anos decorridos, a carta encíclica Laudato si’, publicada pelo papa Francisco em 2015, integraria, a par de contributos científicos oriundos das cinco partes do mundo, o fruto de uma discreta consulta ao festival alentejano, referente à salvaguarda de pequenas espécies ameaçadas pela degradação das águas interiores, mas cujo papel é essencial ao funcionamento da cadeia alimentar. Hoje, as acções de voluntariado ambiental tornaram-se um dado adquirido e a metodologia preconizada pelo Terras sem Sombra serve de inspiração a outros festivais.”

JOSE ANTÓNIO FALCÃO

Coordenador Científico


VILA DE FRADES

18 de Fevereiro [10H00]

Da Época Romana ao Século XXI:Tradições Vitivinícolas no Terroir Vidigueirense

COLABORAÇÃO: Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito; Junta de Freguesia de Vila de Frades; Vidigueira Wine LandsAPOIO: Câmara Municipal de Vidigueira

Terroir é um espaço no qual está em curso um conhecimento colectivo das interacções entre o ambiente físico e biológico e as práticas enológicas aplicadas, de modo a proporcionar características distintas aos produtos dele originários. O concelho de Vidigueira exemplifica estes conceito de maneira notável, há mais de vinte séculos. Revisitar as suas práticas vitivinícolas tradicionais, património de que faz parte o vinho de talha, permite também compreender a biodiversidade. Guias: José Miguel de Almeida (engenheiro agrónomo), Virgílio Loureiro (doutor em Microbiologia), Joaquim Galante de Carvalho e Arlindo Ruivo (produtores)

SERPA

4 de Março [10H00]

Património do Tempo: As Oliveiras Multisseculares de Serpa

COLABORAÇÃO: Sociedade Agrícola do Monte da ZangaAPOIO: Câmara Municipal de Serpa; Instituto Superior de Agronomia, Universidade de Lisboa

Serpa, concelho de grandes pergaminhos na olivicultura, guarda ciosamente algumas oliveiras com mais de 2000 anos. Um núcleo particularmente interessante, nesta perspectiva, é o da Herdade da Zanga, o qual tem vindo a ser recuperado e produz um azeite muito apreciado pelas suas características singulares. Guias: José Pedro Fernandes de Oliveira e Francisco Garcia (engenheiros agrónomos)

ODEMIRA

18 de Março [10H00]

Um “Limite do Mundo”:A Geo e a Bio-diversidade no Cabo Sardão

COLABORAÇÃO: Tic Tac – Associação para a Promoção de Tempos Livres de Crianças e JovensAPOIO: Câmara Municipal de Odemira; Escola de Ciências e Tecnologia, Universidade de Évora; Autoridade Nacional Marítima, Capitania do Porto de Sines, Marinha Portuguesa

Talhado numa arriba com mais de 40 m de altura, o Cabo Sardão é uma espécie de finis terræ, extremidade onde a terra confronta o oceano, com as suas altas e negras arribas xistosas, dramaticamente fracturadas pelos movimentos das placas tectónicas. Domina aqui uma sequência de grauvaques e pelitos do Carbónico que se apresenta repleta de dobras muito apertadas. O promontório, disposto entre campos agrícolas e bosquetes, constitui um habitat de grande interesse para a vida selvagem. Guias:Rita Balbino (bióloga), Carlos Cupeto (geólogo) e António Martins Quaresma (historiador)

MÉRTOLA

15 de Abril [10H00]

Sob a égide de Diana:A Gestão Cinegética e a Salvaguarda da Biodiversidade

COLABORAÇÃO: Associação Nacional de Proprietários Rurais, Gestão Cinegética e BiodiversidadeAPOIO: Câmara Municipal de Mértola; Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO), Universidade do Porto; Herdade das Romeiras

Mértola, concelho cuja riqueza venatória, há muito famosa, tem vindo a crescer nos últimos anos, é palco de medidas de repovoamento que constituem um case study para as boas práticas de gestão cinegética. A recuperação do coelho-bravo, espécie-chave nos ecossistemas mediterrânicos, favorece a salvaguarda de espécies em risco, como o lince. Guia: João Carvalho (engenheiro agrónomo)

FERREIRA DO ALENTEJO

29 de Abril [10H00]

Em busca de uma planta que só existe no baixo Alentejo:Linaria Ricardoi

COLABORAÇÃO: EDIA - Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva
; QuercusAPOIO: Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo; Escola de Ciências e Tecnologia, Universidade de Évora

Linaria ricardoi é um endemismo lusitano muito raro, localizado na região de Beja, em solos de características ácidas, de textura média ou argilisa. Os núcleos populacionais recenseados incluem usualmente algumas centenas de exemplares, pelo que, à luz do conhecimento actual sobre a espécie, esta encontra-se em perigo de extinção. O uso de herbicidas, resultado da intensificação agrícola, e o pastoreio intensivo contribuem de forma decisiva para um decréscimo populacional acentuado. Torna-se necessário inverter esta tendência. Guias: Carlos Pinto Gomes (biólogo) e Dinis Cortes (médico)

BEJA

6 de Maio [10H00]

Santuário na Planície:A Barragem da Herdade dos Grous e a Observação de Aves Selvagens

COLABORAÇÃO: Herdade dos GrousAPOIO: Câmara Municipal de Beja

O concelho de Beja possui uma biodiversidade deveras vasta e ainda pouco estudada em muitas das suas componentes. A barragem da Herdade dos Grous é um dos locais privilegiados para a observação de aves: Peneireiro-cinzento, Águia-pesqueira, Picanço-real-meridional, Flamingo, Colhereiro, Tartaranhão-caçador, Sisão, Pernilongo, Noitibó-de-nuca-vermelha, Poupa, Abelharuco, Andorinha-dáurica, Picanço-barreteiro, Toutinegra-dos-valados, Pega-azul, Papa-figos, Íbis-preta, Trigueirão, entre outras espécies. Guias: Carlos Cupeto (geólogo), Luís Barreiros (biólogo) e Miguel Quaresma (engenheiro agrónomo)

ELVAS

20 de Maio [10H00]

Através dos Campos:Agricultura de Conservação no Concelho de Elvas

COLABORAÇÃO: Associação Portuguesa de Mobilização de Conservação do SoloAPOIO: Câmara Municipal de Elvas; Centro Ciência Viva de Estremoz

A agricultura de conservação consiste num conjunto de práticas que permitem o maneio do solo agrícola com a menor alteração possível da sua composição, estrutura e biodiversidade natural. As técnicas utilizadas na agricultura de conservação apresentam efeitos positivos no solo, contribuindo para o aumento do teor de matéria orgânica. Guias: Gabriela Cruz (engenheira agrónoma) e Rui Dias e Isabel Machado (geólogos)

BARRANCOS

3 de Junho [10H00]

A Herdade da Coitadinha e o Parque de Natureza de Noudar

COLABORAÇÃO: EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do AlquevaAPOIO: Câmara Municipal de Barrancos; Laboratório Nacional de Energia e Geologia

O Parque de Natureza de Noudar localiza-se na Herdade da Coitadinha, por ‘detrás-dos-montes’ entre o serpenteado do rio Ardila e da ribeira de Múrtega, encaixado entre cumes e colinas na proximidade de Barrancos. O caminho desde a entrada do Parque até ao Castelo de Noudar, atravessa uma extensa área de montado de azinho que termina com vista majestosa para a confluência das duas linhas de água. Nesta paisagem pouco modificada pela mão humana, a vida apresenta-se em estado selvagem e de absoluta pureza. Guia: Bárbara Pinto (bióloga) e João Xavier Matos (geólogo)

SINES

17 de Junho [10H00]

A Biodiversidade na Área de Influência do Porto de Sines

COLABORAÇÃO: Administração dos Portos de Sines e do AlgarveAPOIO: Câmara Municipal de Sines; Junta de Freguesia de Sines; Laboratório de Ciências do Mar, Universidade de Évora; Santa Casa da Misericórdia de Sines

De construção recente (1978), o porto de Sines é uma das infra-estruturas portuárias mais avançadas da Europa e apresenta condições naturais ímpares na costa portuguesa para acolher todo o tipo de navios. Dispondo de um ordenamento de referência, enfatiza a constante monitorização das águas sob a sua jurisdição, onde existem, inclusivamente, unidades de piscicultura. A salvaguarda da biodiversidade dentro do perímetro portuário constitui o fio condutor desta visita, que também revela aspectos pouco conhecidos da paisagem em torno do Cabo de Sines.  Guias: Luís Miguel Mourão (engenheiro do ambiente) e Inês Seabra (bióloga)

SANTIAGO DO CACÉM

1 de Julho [10H00]

Herança Conventual:O Montado de Sobro na Herdade do Loreto

COLABORAÇÃO: Centro UNESCO de Arquitectura e Arte; Real Sociedade Arqueológica LusitanaAPOIO: Câmara Municipal de Santiago do Cacém; Departamento de Conservação da Natureza e Florestas do Alentejo, Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas; União de Freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e São Bartolomeu da Serra

Foi em 1515 que os frades da comunidade de Nossa Senhora do Loreto adquiriram um vasto espaço na vizinha herdade do Loureiro para plantarem notável sobreiral que chegou aos nossos dias e é um tesouro de biodiversidade, hoje em risco acentuado de degradação. A acção visa inverter este processo e envolver a comunidade local na salvaguarda dos “tesouros do montado”, com a intervenção do Agrupamento local de Escolas, sob a égide da UNESCO.Guias: Ana Maria Vidal (arquitecta paisagista), José Mira Potes (engenheiro zootécnico) e Pedro Gameiro (arquitecto)