19 Maio

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Estreia no Alentejo Ópera ONHEAMA sobre a Amazónia


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 ESTREIA NO ALENTEJO ÓPERA ONHEAMA SOBRE A AMAZÓNIA

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O Festival Terras sem Sombra valoriza os recursos naturais e dá a conhecer um território que sobressai pelos valores ambientais, culturais e paisagísticos e que apresenta um dos melhores índices de preservação na Europa. Nesta comunhão de valores, introduz no seu programa para 2016, uma ópera infanto-juvenil com uma mensagem ecológica, tendo como pano de fundo a temática amazónica. Onheama, ópera em três actos de João Guilherme Ripper, sobe à cena no Cineteatro Nicolau Breyner, em Serpa, nos dias 21 e 22 de Maio, pelas 21h30 e 16h00, respectivamente, com entrada livre, sujeita à lotação da sala.

Inspirada no poema A Infância de Um Guerreiro, de Max Carphentier, Onheama significa eclipse em língua tupi. A mitologia indígena interpreta o eclipse como a acção maléfica de Xivi, a terrível onça celeste, que devora Guaraci, o Sol, e depois sai à caça das estrelas e de Jaci, a Lua. O dia em que Xivi conseguir engolir tudo o que reluz no céu e saciar a sua fome tremenda, o mundo acabará. Somente um guerreiro corajoso e de coração puro como Iporangaba poderá salvar a Amazónia e a Terra do terrível monstro. Triunfa a luz numa perspectiva infantil; triunfa, afinal, a vida.

A peça de João Guilherme Ripper, um dos mais importantes autores musicais brasileiros dos nossos dias – compositor, director de orquestra, professor e presidente da Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro –, estreou em 2014, no Festival Amazonas, de Manaus, com grande êxito, e foi reposta no ano seguinte, atingindo, de novo, enorme sucesso.

Trata-se de uma ópera dos nossos dias, com um alcance sociológico notável, ao integrar o público infantil entre os possíveis espectadores – e, evidentemente, ao promover a criação de novos públicos. A parceria, na realização do espectáculo com o Teatro Nacional de São Carlos, realça ainda mais o repto desta aventura artística. Serpa abre as portas do seu teatro (que correu, o risco de ser fechado e transformado num centro de negócios, e ao qual esta iniciativa deu um passaporte para sobreviver) a uma experiência, no mínimo, surpreendente.

Mas esta aventura estende-se também à construção de toda a ópera, cuja encenação é da responsabilidade do dramaturgo argentino que trabalha em Portugal, Claudio Hochmann. Os figurinos e a cenografia são de Miguel Costa Cabral. Os primeiros são elaborados, em Serpa, pela Oficina do Traje, uma academia sénior que já produziu os trajes para o corso histórico e etnográfico da cidade. Quanto aos cenários e adereços, serão construídos na oficina de metais da Câmara Municipal.

Em cena estarão mais de uma centena de pessoas, incluindo dispositivos do Coro do Teatro Nacional de São Carlos, do Coro Juvenil do Instituto Gregoriano de Lisboa e da Orquestra Sinfónica Portuguesa, a que se juntam crianças e jovens das escolas de Serpa. A direcção corre a cargo do maestro brasileiro Marcelo de Jesus e o elenco dos solistas reúne algumas vozes de referência da cena operática do nosso país.

Do imaginário universal da Amazónia parte-se, na manhã de domingo, para uma acção de salvaguarda da biodiversidade dirigida à Serra de Serpa, ao microclima de Limas e ao acidente geológico do Pulo do Lobo, no Parque Natural do Vale do Guadiana. São duas as metas fundamentais desta iniciativa do Terras sem Sombra, em colaboração com o Instituto de Conservação da Natureza, o Município de Serpa e o Laboratório Nacional de Energia e Geologia: a interpretação geomorfológica dos locais visitados e a busca de vestígios milenares da presença humana gravados na rocha e de crustáceos contemporâneos dos dinossauros.

Nas margens do vale antigo do rio, encontramos os segmentos de habitat menos tocados do Parque Natural do Vale do Guadiana: o Matagal mediterrânico. Percorrendo uma paisagem única, vão ser observados vestígios de cheias antigas e, no céu, as espécies de aves emblemáticas da área protegida: cegonha-preta, águia-real e águia-de-bonelli.


Fotos Onheama

Fotos João Guilherme Ripper


Programa Serpa
Onheama, de João Guilherme Ripper
Ópera para o público infanto-juvenil, baseada em A Infância de Um Guerreiro, de Max Carphentier

21 de Maio de 2016[21H30]
22 de Maio de 2016[16H00]
Cineteatro Nicolau Breyner

Ficha Técnica

Direção musical | Marcelo de Jesus
Encenação | Claudio Hochmann
Cenografia e Figurinos | Miguel Costa Cabral

Iara | Carla Caramujo
Nhandeci e Xivi | Inês Simões
Boto | Marco Alves dos Santos
Tuxaua | Nuno Pereira
Iporangaba | Carolina Andrade

Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Maestro Titular | Giovanni Andreoli
Coro Juvenil do Instituto Gregoriano de Lisboa
Maestrina Titular | Filipa Palhares
Orquestra Sinfónica Portuguesa

22 de Maio [10:00]
No Coração do Parque Natural do Vale do Guadiana: A Serra de Serpa, o Microclima de Limas e o Acidente Geológico do Pulo do Lobo