13 Junho

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Beja encerra a edição de 2016 do Terras sem Sombra


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 Beja encerra a edição de 2016 do Terras sem Sombra

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 Quando os músicos de Portugal faziam carreira na Espanha dos Filipes:
La Grande Chapelle apresenta acervo musical único

O Festival Terras sem Sombra termina com “chave de ouro” uma temporada de concertos que fizeram história no Baixo Alentejo. Numa iniciativa levada a cabo em parceria com o Município de Beja, a catedral desta cidade, alvo de restauro e aberta recentemente ao público, será a anfitriã do último espectáculo, no dia 18 de Junho, pelas 21h30, com o ensemble vocal e instrumental de música antiga La Grande Chapelle, dirigido pelo maestro Albert Recasens.

Natural de Cambrils (Tarragona), Albert Recasens iniciou, em 2005, um ambicioso projecto de recuperação do património musical peninsular, com a fundação de La Grande Chapelle e da etiqueta Lauda, de cuja direcção artística se ocupa desde 2007. Consagrando especial atenção ao repertório dos séculos XVI a XVII, tem dado a conhecer obras inéditas dos grandes mestres deste período, com estreias ou primeiras gravações mundiais.

Pela excelência artística, os discos de La Grande Chapelle obtiveram galardões e prémios nacionais e internacionais de reconhecido prestigio no âmbito da música antiga, como dois Orphées d’Or (Academia do Disco Lírico de Paris, em 2007 e 2009), “4 stars” do BBC Magazine ou “Critic’s Choice” de Gramophone, etc.

 Redescobrir um período esquecido da música ibérica

A união de Portugal e Espanha na denominada “Monarquia Hispânica” ou “Monarquia Católica” (1580-1640), com a consequente perda da autonomia lusa, assim como a crise económica provocaram o êxodo de artistas e músicos portugueses para o reino vizinho.

La Grande Chapelle tem vindo a revelar três compositores portugueses que fixaram residência em Madrid ou em Sevilha, no século XVII – Manuel Machado, Fr. Manuel Correa e Fr. Filipe da Madre de Deus –, pondo em confronto a sua música com a do espanhol Juan Hidalgo, harpista, à época, da Capela Real, o qual se tornara célebre por ser o criador, com Calderón de la Barca, das duas primeiras óperas espanholas.

O programa que vai ser interpretado em Beja, em larga medida inédito, deleita-nos com uma selecção do magnífico repertório de alguns dos principais músicos ibéricos do século XVII que revelam características estilísticas comuns, entre elas o uso dos géneros em voga (tonos, vilancicos e romances), a ousadia harmónica ou a ênfase na retórica e na expressão do texto.

Trata-se, sem dúvida, de um acervo único, digno de resgate, tanto mais que à beleza da música destas singulares peças se une a beleza das letras, da autoria de alguns dos melhores poetas que escreveram em castelhano na época, fossem eles espanhóis ou portugueses. A tradução para o nosso idioma, também ela inédita, deve-se ao poeta alentejano Ruy Ventura (Portalegre, 1973).

 Entre as ribeiras de Terges e Cobres: turismo da natureza e sustentabilidade

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Paralelamente aos concertos, o Festival Terras sem Sombra promove o conhecimento da biodiversidade da região através de percursos que sensibilizam para a preservação da natureza e o reconhecimento de boas práticas ambientais. Assim, na manhã de 19 de Junho, músicos, espectadores, membros das comunidades locais, unem-se para uma iniciativa de voluntariado, que tem por mote Entre Ribeiras: Na Confluência das Ribeiras de Terges e Cobres – Turismo de Natureza e Sustentabilidade.

Esta acção decorre num itinerário entre os cursos fluviais e um barranco afluente, cuja vegetação foi salvaguarda ao longo de gerações pelos proprietários da herdade. No final, em torno de uma unidade de agro-turismo, denominada Xistos, esperam-nos um conjunto de descobertas: o potencial natural e o saber fazer. Esta acção tem a colaboração do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (Parque Natural do Vale do Guadiana) e da Câmara Municipal de Beja.

Irá realizar-se, no final da jornada, uma evocação, pelos seus amigos e colegas, de Armando Sevinate Pinto [1946-2015]. E será igualmente lembrado outro amigo do FTSS, Manuel de Castro e Brito, nascido em 1950, em Beja, e falecido em Março passado.


Concerto de Encerramento | Beja

18 de Junho [21H30]
Catedral (Igreja de Santiago Maior)
Inesperado Resgate: Compositores Portugueses na Espanha do Siglo de Oro
La Grande Chapelle

Direcção musical Albert Recasens

19 de Junho [10:00]
Entre Ribeiras: Na Confluência das Ribeiras de Terges e Cobres – Turismo de Natureza e Sustentabilidade